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1. Não
há lei moral. Há lei. E há moral. Duas coisas
distintas.Conflitantes.
2. Perjúrio
- O que o advogado comete o tempo todo, mas em linguagem jurídica.
Se apanhado, pode negar tudo em linguagem igualmente jurídica.
3. Solicitador
- Leigo capaz de colocar em termos claros a acusação
ou a defesa num processo, para que, posteriormente, os advogados
as tornem absolutamente ilegíveis. Bastando salpicar três
data venia e seis avença.
4. Indenização
- O que o queixoso recebe quando vence uma causa depois que a Corte,
os advogados e a processualística levam todo seu patrimônio.
5. Multa - Dinheiro
com que o Estado participa do mal ganho ou malfeito do acusado.
6. Res Ipa Locuta
- O advogado hábil pode traduzir a frase de 12 maneiras.
No fundo é apenas falou tá falado.
7. Lei - Livro
de regras de sentido impreciso, portanto interpretáveis das
mais diversas maneiras. Pretende estabelecer definições
absolutas para o Bem e o Mal, o Certo e o Errado, coisas que os
filósofos tentaram através dos séculos sem
chegar a qualquer resultado ou, pelo menos, acordo.
8. De acordo
com a Letra da Lei - A expressão vem do respeito pela Lei
Escrita, quando tudo era feito em belos textos cheios de iluminuras.
Pode-se julgar pela letra da lei o que é uma besteira ou
pelo espírito da lei que leva tantas vezes à justiça
poética. Má poesia e péssima justiça.
9. Advogado
- Sócio do crime.
10. Cidadão,
neste país em que não há qualquer cidadania,
passou a significar só cidade grande.
11. Direito
de resposta. Princípio democrático fundamental. Senão
a gente fica até pensando que o outro lado pode ter razão.
P.S. Nunca neguei a ninguém o direito de concordar inteiramente
comigo.
12. Testemunha
ocular - Pessoa que mente com seus próprios olhos.
13. Defensor
público - Se o suposto criminoso é tão pobre
que não pode escolher (pagar) seu próprio defensor,
o Estado lhe oferece um, gratúitis. Uma espécie de
INSS da Justiça. Quem já tratou de um furúnculo
nesta instituição pode imaginar o que é tratar
de uma ofensa na outra.
14. O crime
não compensa. Conceito hoje totalmente desmoralizado até
pela ficção teatro, literatura, cinema. Na verdade
só se pode admitir que o crime não compensa porque,
quando compensa, muda de nome. P.S. O crime não compensa?
E de que é que vivem carcereiros, policiais, fabricantes
de cofres, advogados e juízes?
15. Formação
de culpa - A culpa é proporcional à evidência.
Se ninguém tomou conhecimento da falha, erro ou crime, a
culpa se torna vaga, imaterial, menor. Ou inexistente.
16. Supremo.
O melhor ainda é o de frango.
17. Supremo.
Os juízes do supremo acreditam piamente que estão
sentados à mão direita de Deus. Bem pagos, naturalmente.
18. Imposto
& Culpa. Em todo o mundo, em todos os tempos, mesmo os cidadãos
mais honestos não se sentem desonestos quando tentam fraudar
taxas e impostos. Isso se deve à certeza universal de que
todos os governos são impostores.
19. Imposto
do solo criado. Estão nos ameaçando com mais esse
imposto que nem eles mesmos sabem o que é. Depois, naturalmente,
teremos a taxa da água imaginária e do esgoto suposto.
Tudo isso, é claro, pra que o Estado ideal possa pagar a
limpeza urbana fictícia, a segurança inexistente,
o transporte ilusório e a educação quimérica.
É por isso que eu digo; este é o país dos meus
sonhos!
20. Contribuinte.
Me arrancam tudo à força. Mas me chamam de contribuinte.
21. Comparação
- Fala-se muito mal dos poetas. Mas o pior verso do pior poeta fez
menos mal á humanidade do que o melhor parecer jurídico.
Os profissionais da lei, pelo próprio conceito jurídico,
quase sempre são malversadores.
22. Contraste
Jurídico- Justiça tem a ver com a busca da verdade.
Lei trata do comércio com a mentira.
23. Júri
Popular- Grupo de pessoas que ocasionalmente a sociedade convoca
para julgar o próximo. Os componentes do júri tomam
conhecimento do réu e do malfeitor na hora, e devem ter capacidade
de processar (no sentido computação) as mentiras mais
espantosas e mais contraditórias. (1962. A máquina
da Justiça)
24. Júri
Popular II - Chama-se de Júri Popular um grupo de pessoas
perigosamente próximas do banco dos réus.
25. A liberdade
é apenas uma lamentável negligência dos legisladores.
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